sexta-feira, setembro 30, 2005

Barbosinha - a série



PROTAGONISTAS


Um beijo, amo vcs, minhas lindas!
Ale e Téia

Õ, Ô seu moço, do disco voador...

Somos o país da diversidade cultural, econômica, social. Mas a linguagem de cada região pode causar confusões memoráveis. Basta chegar em Curitiba e pedir 10 cacetinhos. No mínimo a atendente vai ficar olhando pra tua cara de maneira bem estranha. Pois bem.

Tenho contado aqui as peripécias de uma das minhas irmãs. Acontece que a genética lá em casa é infalível, basta ver a “pequena” semelhança física entre todos nós. E, com isso, outras histórias da série Barbosinha estão surgindo... Desta vez, a barbosinha Teia é a personagem central...

Tele-entrega é uma maravilha dos tempos modernos. Principalmente com a garantia de que em 28 minutos o seu pedido estará nas suas mãos. Habib´s Delivery. Ligação diretamente para São Paulo, que passa o pedido para a loja mais perto de você. Uau! Eis que surge o problema descrito lá no começo.

- Habib´s bom dia!
- Eu gostaria de fazer um pedido.
- Pois não, qual é o estado?
- RS
- E a cidade?
- São Leopoldo
- Qual é o pedido?
- Duas esfihas folhadas, uma de carne e outra de frango.
- Mais alguma coisa?
- Sim, um negrinho.
- ...
- Alô?
- Senhora, acho que você ligou para o número errado e vou ter que encerrar esta ligação.
- Mas... eu só quero um negrinho.
- Senhora, novamente, a senhora ligou para o número errado.
Totalmente desconcertada e após entender o que estava acontecendo:
- Moço, aquele docinho preto, que tem uns confeitinhos em cima da mesma cor, que é redondinho e se serve em festas de criança.
- Ah, claro, ufa senhora, um brigadeiro!

Minha curiosidade maior é saber o que passou na cabeça deste atendente. Porque cacetinhos, ainda vai, a gente prevê. Mas em relação ao negrinho... minha imaginação não vai tão longe!

quarta-feira, setembro 28, 2005

A.M.I.G.A.S



Inteligentes Lindas Profissionais Amigas Companheiras Consumistas Exigentes Amorosas

Loucas por...

Tortinhas geladas com calda de chocolate em cima Sprite zero Marlboro light Carinho
Homens que valham a pena o Jack Bouer Voltinhas na Independência Renner Bolsas
Ballet FELICIDADE

E o melhor de tudo...
... minhas doces e companheiras amigas...

Barbosinha Parte II

Estas reuniões em família (com a parte saudável dela) tem ocasionado histórias hilárias...
Eis que pois, pois, minha mana Ale, em mais de uma suas peripécias, desata com um fato ocorrido no seu dia de ontem, que quase engasgou os que estavam em volta da mesa comemorando o aniversário do meu irmão.
Antes disso, preciso dizer que minhas irmãs não tiveram as pernas alongadas pelo ballet. Logo, o meu 1 metro de perna não completa sua estatura. o que ocasionou que elas ficassem, digamos, mais baixas do que eu. Pra não dizer baixinhas.
Dentro do supermercado Nacional, a enfezada analisa a gôndola para escolher qual o desinfetante a ser escolhido. Como ontem ela estava de tênis, por um milagre, infelizmente o alvo não estava tão à mão, o que fez com que ela ficasse na pontinha dos pés para pegar o tal Pinho Sol. Como ela mesma explicou, quando se pega alguma coisa desta posição, o objeto atinge um ângulo de 90º e vem em sua posição vertical invertida em direção à cabeça. Pois bem. O ideal é que este mesmo objeto, caso seu conteúdo seja líquido, esteja tampado. Principalmente tratando-se de um detergente cheiroso para o chão. Não como perfume ou shampoo.
O restante é minha irmã tomando um banho, enquanto o produto permaneceu deitado na prateleira, ela sapateando, sem atinar de dar um passo para o lado.
Após um escarcéu (céus, como se escreve isso?!) com funcionário, gerente e a exigência de ao menos a lavanderia paga por eles, sai ela com aquele aroma de eucalipto agradável pelas ruas, num humor que não preciso explicar...
Podem rir. Eu juro que agora ela já deixa!

terça-feira, setembro 27, 2005

Dia do: faço as deles as minhas palavras

Este texto deveria estar na cabeça de todos os homens... Mas não pode ser enxergado como uma ameaça, senão perde o sentido...


Como não ser um homem traído nos dias de hoje

Por Arnaldo Jabor

Você homem da atualidade, vem se surpreendendo diuturnamente com o"nível" intelectual, cultural e, principalmente, "liberal" de sua mulher, namorada e etc ... Às vezes sequer sabe como agir, e lá no fundinho tem aquele medo de ser traído - ou nos termos usuais - "corneado". Saiba de umacoisa... esse risco é iminente, a probabilidade disso acontecer é muito grande, e só cabe a você, e a ninguém mais evitar que isso aconteça - ou então - assumir seu "chifre" em alto e bom som.
Você deve estar perguntando porque eu gastaria meu precioso tempo falando sobre isso. Entretanto, a aflição masculina diante datraição vem me chamando a atenção já há tempos. Mas o que seria uma "mulher moderna": a princípio seria aquela que se ama acima de tudo, que não perde (e nem tem) tempo com/para futilidades, é aquela que trabalha porque acha que o trabalho engrandece, que é independente sentimentalmente dos outros, que é corajosa, companheira, confidente, amante... é aquela que às vezes tem uma crise súbita de ciúmes mas que não tem vergonha nenhuma em admitir que está errada e correr pros seus braços... é aquela que consegue ao mesmo tempo ser forte e meiga, desarrumada e linda...enfim, a mulher moderna é aquela que não tem medo de nada nem de ninguém, olha a vida de frente, fala o que pensa e o quesente, doa a quem doer...
Assim, após um processo "investigatório" junto a essas "mulheres modernas" pude constatar o pior. VOCÊ SERÁ (OU É???) "corno", ao menos que:
- Nunca deixe uma "mulher moderna" insegura. Antigamente elas choravam. Hoje, elas simplesmente traem, sem dó nem piedade.
- Não ache que ela tem poderes "adivinhatórios". Ela tem de saber - da sua boca - o quanto você gosta dela. Qualquer dúvida neste sentido poderá levar às conseqüências expostas acima.
- Não ache que é normal sair com os amigos (seja pra conversar,beber, pra jogar ou ver futebol...) mais do que duas vezes por semana, três vezes então é assinar atestado de "chifrudo". As"mulheres modernas" dificilmente andam implicando com isso, entretanto elas são categoricamente "cheias de amor pra dar" e precisam da "presença masculina". Se não for a sua, meu amigo...bem...
- Quando disser que vai ligar, ligue, senão o risco dela ligar pra aquele ex bom de cama é grandessíssimo.
- Satisfaça-a sexualmente. Mas não finja satisfazê-la. As "mulheres modernas" têm um pique absurdo com relação ao sexo e, principalmentedos 20 aos 45 anos, elas pensam - e querem - fazer sexo TODOS OS DIAS (pasmem, mas é a pura verdade)... bom, nem precisa dizer que se não for com você...
- Lhe dê atenção. Mas principalmente faça com que ela perceba isso. Garanhões mau (ou bem) intencionados sempre existem, e estes quando querem são peritos em levar uma mulher às nuvens. Então, leve-a você, afinal, ela é sua ou não é????
- Nem pense em provocar "ciuminhos" vãos. Como pude constatar, mulher insegura é uma máquina colocadora de chifres.
- Sabe aquele bonitão que, você sabe, sairia com a sua mulher a qualquer hora? Bem... de repente a recíproca também pode ser verdadeira. Basta ela, só por um segundo, achar que você merece...Quando você reparar... já foi.
- Tente estar menos "cansado". A "mulher moderna" também trabalhou o dia inteiro e, provavelmente, ainda tem fôlego para - como diziam os homens de antigamente - "dar uma", para depois, virar pro lado esimplesmente dormir.
- Volte a fazer coisas do começo da relação. Se quando começaram a sair viviam se cruzando em "baladas", "se pegando" em lugares inusitados, trocavam e-mails ou telefonemas picantes, a chance dela gostar disso é muito grande, e a de sentir falta disso então é imensa. A "mulher moderna" não pode sentir falta dessas coisas...senão...
Bem amigos, aplica-se, finalmente, o tão famoso jargão "quem não dá assistência, abre concorrência". Deste modo, se você está ao lado de uma mulher de quem realmente gosta e tem plena consciência de que atualmente o mercado não está pra peixe (falemos de qualidade), pense bem antes de dar alguma dessas "mancadas"... proteja-a, ame-a, e principalmente, faça-a saber disso.
Ela vai pensar milhões de vezes antes de dar bola pra aquele"bonitão" que vive enchendo-a de olhares... e vai continuar, sem dúvidas, olhando só pra você!!!

Variações do mesmo tema sem sair do tom

Minhas amigas escreveram sobre a magia de ser mulher.
Esta magia no momento não inspira-me para dicorrer sobre o assunto.

Mas este poeta, deta terrinha, desta palavras, traduziu exatamente o que gostaria de dizer:

"Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada."
Fabrício Carpinejar
Sem inspiração para escrever.
Atual filha do vento, sendo levada para todas as partes, vejo um tornado arrastar meu livre arbítrio e meu amor por pessoas especiais...

sexta-feira, setembro 23, 2005

Filha do Vento






"Se quiserem saber donde venho,
não sei donde venho
talvez venha do vento
Do deserto
Do mar
Ou do fundo das madrugadas."

quinta-feira, setembro 22, 2005

Ouvi esta história ontem, entre inúmeras risadas na casa da minha irmã, em que as três resolveram fazer uma jantinha pra fofocar. Enquanto a Téia fazia as minhas unhas, e eu digeria a enorme quantidade de carne que despejei no meu estômago, a Ale contou uma história impagável que preciso dividir com vocês. Mas antes de discorrer sobre este assunto, preciso ambientar você, caro leitor. Antes de eu vir morar na civilização, há mais de um ano, morei durante 10 anos num sítio que fica muito, muito longe. Para se ter uma idéia, a última parada do único ônibus que circula por aquelas bandas, fica a 6 km de distância. Sendo assim, para voltar para casa, é preciso uma logística absurda, pois sempre precisa ter alguém ( no caso minha mãe) para rebocar o ser para casa. Pois bem. Antigamente esta estrada, morro acima, era de chão batido. Hoje, graças à modernidade, já está asfaltada. Mas ainda não conta com postes de luz que a iluminem. Sendo assim, o breu, a escuridão, são claros. É tão, tão escuro, que a noite parece tragar toda a vida que existe por aquela redondeza. Vez por outra é possível ouvir uma coruja, ou um cachorro do mato percorrer os matagais que cercam a tal estrada. Pois por ali, é muito raro passar uma viva alma à pé e algum carro tarde da noite. Pois bem. Minha irmã e meu cunhado precisavam chegar no sítio, mas o carro da minha mãe estava com a correia do motor quase arrebentando, o que a fez dizer para permanecerem em São Leopoldo, pois não teria como buscá-los na parada. Acontece que a teimosia é marca característica desta família e resolveram percorrer, após às 23 horas, aquela pequena estrada. De mãos dadas e como filha de peixe irmã de peixinha é, a dondoca gastava seu salto altíssimo no asfalto, de chapinha nos cabelos, com uma bolsa nova na mão. Lá pelo 4º quilômetro de caminhada romântica pelo breu total, eis que passa uma moto lentamente por eles, com o farol apagado. Não preciso dizer que minha irmã entrou em desespero e quase teve um chilique. Após algumas passadas, eles resolveram se esconder numa plantação de aipim!!! Pausa: para quem vive na cidade, um pé de aipim não passa do joelho! Ok, a moto resolver ir embora, enquanto que os sapatinhos já estavam atolados de barro mas a bolsa nova continuava a salvo! Mais um quilômetro andado, outra moto resolve aparecer e desta vez com as luzes traseiras apagadas. Também iniciou o seu vai-e-vém quando minha chiliquenta irmã resolver subir o barranco de barro vermelho e se abaixar em frente a um monte... de bosta de vaca... eis que a moto permaneceu indo e vindo e, para piorar a situação, resolveu se ATIRAR de costa no monte de bosta. E eis ainda que ela ficou apavorada que meu cunhado permanceia rindo da situalção e o puxou para cima dela... Resumo da história: o cabelo, o sapato, a roupa, os dois (ufa! a bolsa se salvou) embostados, acabaram ligando pra minha mãe que veio apavorada que o carro pifasse buscar os aventureiros. Que vieram saber mais tarde que não se passava de um amigo que estava tentando os reconhecer para ofereceruma carona... Ai, ai, ai... se não fosse trágico era cômico... peripécias de quem tem barbosa no sobrenome... coisa de português....

segunda-feira, setembro 19, 2005
























Doce ilusão de que as coisas podem ser diferentes do que as evidências insistem em demonstrar. Amarga derrota de poder acreditar que basta acreditar. Azedo é o gosto das lágrimas que agora enxarcam meu rosto. Total é o sentido da ignorância. Parcial é cada pulsação do órgão vital. Espanto. Incredulidade. Morte.

sexta-feira, setembro 16, 2005


Sabe o finalzinho daquele programa, o Telecurso 2º grau? Que lá no final, eles dizem: “Hoje, você aprendeu que a rebimboca da parafuseta, etc e tal”? Pois é, ando me sentindo assim.
Tenho aprendido a duras penas, com certeza, muitos valores totalmente diferentes dos que tinha como verdades absolutas. E uma delas, a que mais tem doído, é que minha vida pessoal precisa estar mais dissociada da profissional. Sempre acreditei que minha vida profissional estando maravilhosa, não teria problemas. O resto? Se ajeita. Se não estou feliz no amor, com a família, com os amigos, de nada me adiantará prosperar e ser a mulher mais feliz no trabalho. Porque isso, infelizmente, é totalmente instável!
Agora... a vida pessoal nunca deve estar instável. Porque, além de ser um esteio, devemos segurá-la com toda a força do mundo. Por ser a única, por ser só minha e por não depender de mais ninguém. Se a profissional não der certo, preciso estar com o outro lado forte, para que eu possa me recuperar. Não esperar que façam algo por mim. Mas para simplesmente estarem ali comigo.
Antes, eu dividia em 70% de importância para o trabalho e o restante para o resto. De resto mesmo. A palavra certa. E por não pensar assim há algum tempo, não deixei de amar o que faço, de dar importância pro meu trabalho, de querer levantar todos os dias e vir pra empresa, de trabalhar no final de semana, de ficar até tarde. Mas isso não tem tido mais o valor de antes. E não me sinto mais culpada de querer ir para casa se tiver o que fazer em cima da mesa. Porque minha vida lá fora, em casa, perto de quem realmente me ama, é muito mais importante e segura...

Às vezes pensamos que estamos com uma cruz maior do que podemos carregar. Eu sou assim. Sinto-me injustiçada na maioria das vezes. Espero que os outros resolvam meus problemas e jogo em suas costas a culpa pelas minhas mazelas. Contudo, todo os dias em que deito e penso sobre o meu dia, tento refletir sobre isso sozinha e pensar que eu mesma sou responsável por tudo o que planto e colho. E me arrependo muitas vezes. Mas me dou o tempo necessário para aprender com isso e tentar consertar. Porque persistir no erro, mesmo que faça isso várias vezes, é burrice.

E hoje aprendi que: devo, em todas as circunstâncias, o tempo inteiro, todos os dias, sempre, cuidar e manter as pessoas que amo ao meu lado. Eximindo-as de qualquer responsabilidade sobre as minhas culpas, erros, acertos, vitórias e derrotas...

Coisas de Priscila...

Que eu sou péssima diretora de arte, todos sabem.
Mas aqui ainda não descobriram...
Que eu sou complemente louca, é diagnóstico certo.
Mas nem todos sabem disso...

Bem, tudo isso pra dizer que este constante e diário relacionamento tenso com o Coreldraw já traz os efeitos colaterais...
Priscila entrando na farmácia:
- Como é mesmo o nome do meu anti-concepcional? Faz mais de seis meses que eu troquei e ainda não decorei o nome...
Priscila na frante do balcão, a mulher com cara de "mais uma louca hoje":
- Ai, moça, não lembro nunca o nome do meu comprimido. Só um pouquinho que eu já vou me lembrar.
Priscila empacando a fila enquanto pensa:
- Ah! lembrei: é Miryad
A mocinha da farmácia consultando o computador:
- Senhora, não é este o nome.
- Claro que é, tenho certeza!
- Mas este nome não consta
- É, esta farmácia nunca tem mesmo o meu comprimido.
Priscila saindo com cara de insatisfeita da farmácia, xingando a incompetente da mulher.
Quatro dias depois, ainda sem lembrar o nome do tal remédio, Priscila na frente do computador lutando com o Coreldraw:

Miryad é o nome da fonte padrão aqui da empresa...

Agora, de onde tirei que o nome era este, não me pergunte...

terça-feira, setembro 13, 2005

A saga da faxina inacabada

Cheguei em casa determinada a fazer faxina. Já que segunda-feira já tem um ar suspeito, reservei este dia para fazer o que mais detesto na vida, após de ter chegado à conclusão que, utilizar o sábado, tornava esta tarefa mais insuportável que nunca! Devagarzinho, pecinha por pecinha do meu quilométrico (haha) cantinho – como se houvesse esta grande quantidade de peças – fui ajeitando aqui e ali.
Eu fazendo faxina pode ser algo bem peculiar. Fora que quando tiro para fazer esta tarefa ingrata, esfrego todos os frisos de todos os azulejos e limpo todos (os que tem) cantos, pode parecer estranho alguém fazer isso ao som de Mozart. O que pode parecer estranho também uma louca que, cada vez que passa em frente ao espelho, experimenta um passo de ballet. Pode parecer mais estranho ainda que esta amalucada esteja em cima de um salto de 10 cm. Vestindo luvas amarelas. Com os cabelos num coque sexy. E de preferência, com uma taça de vinho tinto seco em cima da bancada. Pois é claro que não vou descer do salto nem pra fazer faxina.
Pois bem, continuando, meu banheiro e a cozinha já estavam brilhando. Estava concluindo a secagem da louça quando meu amor chegou (é tão engraçado que ele chega exatamente no final do processo...). E o melhor é que ele sempre encontra uma mulher com cara de boa. Apesar da sarcástica ironia que toma conta de mim nestes momentos. Entre uma tacinha seca, uma panela guardada, beijinho aqui, beijinho ali, ouvimos um barulho ensurdecedor. Corri pra fora do apartamento, olhei pela janela do corredor e constatei uma cachoeira que desabava do quinta andar! Após subir correndo as escadas, com o pano de prato na mão, o coque, o salto, as bochechas vermelhas (e constatar que jamais havia subido mais que o segundo andar), havia já uma pequena reunião de moradores (Ah! se na reunião de condomínio juntassem tantos...) tentando averiguar o que estava acontecendo. Era preciso uma escada! Claro, todos têm uma escada em casa num prédio onde só têm JK.
- Eu tenho uma em casa!
- Ótimo! Ufa, estamos salvos.
Sobe esbaforida a vizinha com uma super escada de três degraus. Minha banqueta era o dobro. Mesmo assim meu super herói tenta alcançar o alçapão. Ao perceber que jamais conseguiríamos chegar à caixa d´água, a cachoeira resolve fugir do frio e passa para o lado DE DENTRO do prédio. A-ha! Agora sim é que a brincadeira ficou legal. Desce todo mundo para o térreo. Todos sapateando sem saber o que fazer.
- Liga pro Semae!
- Não, pros bombeiros!
- Não, pra minha mãe!
- Pro síndico!
- Que síndico?!
- Desliga o registro e o motor da caixa.
Uma voz sábia dentre a multidão. Agora precisávamos trabalhar em equipe. Virem todas as torneiras, liguem os chuveiros para gastar água. Tantos anos trabalhando contra o desperdício de água e combatendo as perdas num programa de qualidade fizeram com que cálculos, anúncios, reuniões passassem pela minha cabeça. Mas ao subir novamente as escadas e me sentir no Titanic, tudo passou num instante. Ligamos o chuveiro, abrimos as torneiras. Fiquei com a tarefa de cuidar pra pia não transbordar e pra água não entrar pela porta da sala. Uau! Tarefa de gincana. Com o espelho no meio do caminho. Com Mozart no som. E pano de prato na mão. Linda a coreografia! Enfim. A cachoeira parava lentamente e o burburinho tava lá em baixo! E eu ali sozinha. Que saco! Lá embaixo é que tava legal... Fechei as torneiras e desci. Splach! Splach! Estamos no dia mais frio do inverno e minhas extremidades totalmente congeladas pelos pés molhados e pelo pano de prato molhado nas mãos (pra que?!). A cachoeira parou e ficamos nos perguntando quem tiraria aquela água toda todos corredores. Até que alguém menciona que os apartamentos com final 3 e 4 têm caimento, o que provavelmente ocasionaria a entrada de água. Ufa! O meu é final 6. Acabou a festa, precisava terminar de fazer faxina enquanto meus vizinhos teriam que salvar seus pertences e procurar abrigo, numa cena New Orleans. Sim, no meu rosto havia um sorriso duvidoso. Ouve-se um grito ecoar no prédio. Era o meu. O meu apartamento estava alagado e a água vinha de dentro para fora... tinha esquecido de desligar o chuveiro. Justamente aquele que não era pra cuidar... senti tanta, tanta raiva, mas não tinha o que fazer. Tudo o que eu havia limpado e secado cuidadosamente agora encontrava-se submerso. Inclusive todas aquelas coisas que não têm lugar e vão para baixo da cama. A cena seguinte era eu de bunda pra cima, com todas as minhas toalhas branquíssimas naquele carpete imundo que eu não tinha passado aspirador ainda. Enquanto eu secava, ele torcia as toalhas varanda abaixo. Além do problema eminente de muitos dias pela frente de carpete molhado fedendo a cachorro molhado, percebi o quão pequena é minha casa. Onde iria enfiar uma cama Box para que não ficasse em cima do molhado? No corredor. Mas acredito que os vizinhos não gostariam da idéia.
Bem, além de secar de quatro o chão molhado, dE salto, dE coque, dE mau-humor, ainda tive que agüentar meu querido namorado fazer experimentos de secagem rápida de carpete com o mini-secador de cabelo e com o ferro elétrico. O que fui obrigada a pará-lo, senão além de esvaziar meus bolsos (já vazios) para o Semae, teria que abrir meu próprio negócio na esquina para pagar a AES Sul. Apesar de estar amando ver seus olhinhos brilhando, com cara de criança fazendo arte, esfregando meu ferro quase novo no chão...
Bom, o final da história quase não estou aqui para contar. Claro que tiritei de frio a noite inteira, pois o ventilador de teto estava ligado, a janela aberta e minha cama quase na cozinha. Minha casa, antes linda, arrumada, cheirosa, precisa de uma nova arrumação. E a segunda-feira já acabou. O cd parou de tocar. Ele foi embora. Os pés estavam encharcados. Perdi o pano de prato. A cozinha revirada. Era tarde e não tinha nada para comer. Desmanchei o coque. Fui tomar banho...

...Acabou a água...

segunda-feira, setembro 12, 2005

Até acordei inspirada pra escrever uma crônica... mas meus dedinhos praticamente congelados parecem reflexo do cérebro. As idéias sumiram!
Então, tudo o que consigo dizer neste momento é: ...

quinta-feira, setembro 08, 2005


Ela ajeitou os cabelos, fez uma leve maquiagem e vestiu a última opção de roupa escolhida, dentre tantas que já havia desfilado em frente ao espelho. Olhou pela última vez seu reflexo. Arrumada por fora, mas uma confusão de sentimentos por dentro, o que fazia sentir-se totalmente desordenada. Ia ao encontro do tumulto de pessoas mais uma vez. Uma caça. Carne nem nova, nem velha. A mesma de sempre. Sensação de matadouro. Mas era preciso sair das paredes seguras do seu quarto. Parecia já ter se encontrado dentro de si e no divã. Agora era preciso mostrar ao mundo a que veio.
No caminho, pôde perceber o quanto aquele mesmo trajeto, da sua casa até os mesmos locais de sempre, parecia diferente. Como que um soldado a caminho da guerra, sentiu medo e ansiedade. Sabia o que viria pela frente, tinha esquematizado quais os pontos de fuga, de onde estaria mais bem posicionada para atacar e se defender. Conhecia o inimigo. Mas o temia. O respeitava. Esperando o sinal abrir, puxou o espelho retrovisor e analisou seu rosto. A mesma moldura. Outra obra. O mesmo autor. Outro tema. Qual o preço? O quanto valia? Seria leilão? À vista, parcelado? Produto de mercado. Tanta inteligência, experiências, conhecimento. Pra quê? No matadouro, não serve pra nada.
E vieram a multidão, as luzes, a música alta. Volume de gente, vazio do necessário. Colheita de expectativas em terreno infértil. As pessoas se repetem. Duas, três, quem sabe. O mesmo comportamento, as mesmas angústias, anseios, desejos. E ela? Na separação de grupos, onde estaria? Sentiu-se novamente desconfortável. Dirigiu-se ao banheiro, lavou o rosto e olhou-se no espelho. Era preciso enfrentá-la. A si mesma. Aos monstros que tomaram forma e vida própria dentro de si. Balançou os cabelos e decidiu por tentar. Mas mais uma única vez.
Sorria, tomava um drink, acendia um cigarro, conduzia-se no ritmo da música. Conversava para fazer parte do assunto. Tudo tão falso. Ah!, se pudessem enxergar no âmago de sua alma, perceberiam o quanto aquela situação era desconexa. Como em peças montáveis de um jogo infantil, parecia difícil demais achar aquela que encaixaria perfeitamente para ela. Pronto. Havia perdido a guerra. Deixar a vitória para seus inimigos interiores era a melhor solução. A paz reinaria novamente. Porém lá fora. Saber viver sozinha ainda era um caminho a ser percorrido a passos largos. Mas bem longe dali.

terça-feira, setembro 06, 2005

De alma - quase - lavada

Era o sonho deles. Juntar as escovas de dente, comprar um cachorro juntos - apesar de não serem pulgas, dividir a mesma cama e os mesmos sonhos. A busca pelo lar, já em fase avançada, concretizava a conhecida frase "dividir o mesmo teto". Selados pelo amor e pelo companheirismo apenas, deixando as convenções da sociedade à parte deste ritual. Mas elas permaneceram dentre o casal.
- Amor, já que estás em casa metade do dia, sendo que eu saio cedo para o trabalho, tu lavas a roupa, certo?
- Como assim?
- Ué, tuas roupas precisam estar em dia pro teu trabalho. E eu não vou ter tempo. nada mais óbvio que tu ponhas a ropua pra lavar.
- Claro que não!
- Como não?
- Não. Eu lavar a roupa? Imagina!
Séria e de bico amarrado, como de costume, a televisão fez o barulho durante a pausa.
- Mas é um desperdício pagarmos alguém pra isso se tu podes fazer.
- Mas não vou fazer. Já disse que pago.
- Ok, então tu compras a máquina de lavar a roupa.
Havia um ar de cinismo vingativo no ar.
- Combinamos que as despesas seriam divididas.
- É, e as tarefas também.
Ela sabia que os trezentos reais da metade da máquina custariam bem mais barato do que lavar a roupa durante sabe-se lá - agora parecia que nem tanto - tempo.
- Então levo minha roupa pra minha mãe lavar.
- Imagina! Que é isso? E já não sou motivo de conversas questionáveis na família? Imagina então depois disso... nem pensar!
- Então tu lava a roupa...

É, roupa suja se lava em casa.
Pena que o ditado nunca explicitou quem...

sexta-feira, setembro 02, 2005

Passou-se mais uma semana. No silêncio do meu apartamento, pude perceber a chuva incessante do lado de fora, enquanto que minhas cobertas faziam companhia aos pensamentos longínquos, absortos ora numa leitura leve, ora em banalidades, outra em decisões e passagens do dia decorrido. Enquanto as horas passavam lentamente, queria que o mundo lá fora não interferisse naquele momento, em que o calor que o corpo sentia, aconchegava-me como colo de mãe. Mas sem palavras. Apenas contato. Sem questionamentos, cobranças, resultados. Apenas o silêncio, a desconecção. A sensação de conforto de que tanto preciso. A ansiedade longe de mim. As explicações, os diálogos, as respostas: off line.
E da janela do meu quarto, pude perceber a fragilidade que me toma nos momentos de solidão. A verdadeira essência, a nua e crua realidade de quem sou, o reflexo da minha alma. Esta obsessiva carapuça de falsa fortaleza que teci e com a qual revesti meu rosto, minha postura, exposta às águas que caiam sobre a terra. Não ali comigo. Levemente distante de mim, ameaçando estilhaçar os vidros que me protegiam do frio e vir ao meu encontro como um ímã, numa força descomunal.
E nestes momentos sonhei muito. Também acordada, mas meu sono trouxe consigo mais dúvidas. E perdi com isso minutos preciosos de realidade quando acordada, questionando o presente como se aquela fantasia fosse real. Pensei em pessoas queridas que estão passando por processos de transformação e decisões em suas vidas, e questionei a mim mesma se os caminhos que venho construindo vão de encontro ao que as questiono. Claro! Vemos nos outros o que gostaríamos de corrigir, por vezes, em nós mesmos. E, como em poucas situações, pensei em mim muito longe do trabalho. Imaginei e construí expectativas fora deste mundo. E não sei se gostei do que vi. Aliás, gostei muito do que vi, mas parece-me estar desconectado do que quero. E então? Estarei na mesma posição e feliz no futuro como agora? Segundo Heráclito, estamos em constante transformação... mas ainda não tenho respostas. Apenas sei que o presente me faz feliz.
E durmo tranqüila, satisfeita. As dúvidas permanecem, talvez em maior volume, mas ainda distantes da ansiedade peculiar da minha personalidade. Derrubada pelos efeitos da química, descanso os olhos e desligo a única coisa a que me permito, com muita relutância, não comandar: meu cérebro e suas peculiares armadilhas.