Idéias... idéias... idéias....
Por que quando elas precisam vir, obrigatoriamente, dentro de um prazo curtíssimo, elas fogem como baratas?!
Daí me perco em devaneios, em histórias absurdas, em fragmentos de lembranças. Agora, por exemplo, preciso tão urgentemente arranjar uma solução para um problema, que perco a fome, fico zonza, penso em trilhões de coisas diferentes e.. idéia que é bom... nada!
Lembrei de ontem... Chegando em Porto Alegre às 9 da manhã, no centro, tendo que ir à Ipanema. Por onde começar a procurar a lotação, ônibus, carroça, que me levaria até lá?! A primeira coisa que me veio na cabeça é "quem tem boca vai à Roma". Hum, ótimo. Ipanema é mais perto. Como sou cética ao extremo, lógico que confirmei cada informação com, no mínimo, mais duas ou três almas solidárias. Cheguei ao meu destino mais rápido do que imaginava, mas não sem antes:
- morrer de medo, passando por dezenas de mendigos.
- morrer de desgosto por estar passando entre muitos mendigos com meu óculos de sol, meu biquíni na bolsa e meu salto alto.
- morrer de felicidade por passar na Borges àquela hora e encontrar, sem conseguir acreditar, uma bolsa enorme, de palha, moderníssima, à venda por R$ 4,00. Sim, quatro reais. Não errei a digitação.
- pensar, pensar e pensar que Porto Alegre é linda a qualquer hora do dia, temperatura, dia da semana.
- cruzar com uma mulher bronzeadíssima, perdidíssima, com um silicone avantajado, numa blusa de marca, numa calça justérrima, com o biquíni branco por baixo (perceptíveis partes de cima e de baixo), óculos D&G, bolsa Luis Vitton (ou algo bem semelhante por umas centenas de reais a menos), cabelos mechados e uma matraca absurda. Andando de lotação. Aliás, perdida na lotação e no seu senso questionável de direção. Precisava chegar a um tal clube que estivera no dia anterior, só que de carro. Precisava voltar para lá e confirmar as aparências. Sozinha. De lotação. Mas claro, o carro estava no estacionamento. E ai de quem duvidasse que não.
- reviver toda a minha infância, passando pela Athenas, pelo Real (que agora é algo parecido com Strip Center), pelo Morro do Sabiá, pela AABB, enfim, pela Tristeza. Bairro e sentimento de perda. Como era bom...
Ah, claro, preciso ter aquela idéia. Resolver aquele problema. Daí já pensei nos araçás lá do sítio, porque estou comendo uns agora, da árvore aqui do pátio da empresa. Eita frutinha boa. Azedinha, adocicada. Mas lá tinha o orvalho, o cheiro de grama, os cachorros em volta ocupando o espaço dos meus pés. A cabeça estava desocupada. Aqui falta ar, falta espaço.
Mas o que era mesmo que eu precisava resolver?! Ah, sim, tenho que pagar a conta da luz até amanhã, senão cortam. Tenho que fazer um depósito também, hoje é segunda-feira, logo, dia de faxina, não posso esquecer de molhar minha orquídea linda (já dura três semanas, é recorde) e aquela fôrma dentro do fogão, que eu esqueci, deve estar podre.
Ah, mas esta música que toca agora em pensamentos eu já enjoei "beijar, beijar, beijar... dançar, dançar, dançar... se ela dança, eu danço..." sim, sim, amanhã já é terça-feira, ah, claro, tinha esquecido, na outra é carnaval.... é, esta é uma boa idéia, mas com custo muito alto.
...
Idéias, idéias, idéias... com tantas outras coisas na cabeça, onde menos sobra espaço, é que elas não deveriam estar...