sexta-feira, abril 28, 2006

Sempre tive certa, ou melhor, grande dificuldade na brincadeira de pega-pega. Como desde pequena nunca treinei o exercício aeróbico - por causa do ballet e, ainda, sempre me livrava das intermináveis corridas ao redor da quadra de basquete - por causa do ballet, poderia me machucar - correr tornou-se meu grande ponto fraco. Alguns metros neste exercício e todo o meu corpo doía impiedosamente.  Polícia e ladrão: sempre a presa mais fácil. Pega-pega: com certeza a primeira a sair da brincadeira. E assim cresci, com uma grande dificuldade de alçar vôos com as pernas.
 
Trouxe comigo para a vida adulta a incapacidade de correr. Se brincar de pegar. De inverter as posições e correr atrás do meu objetivo, ao invés de permanecer no papel de presa fácil. Hoje permanecem as desculpas para não me exercitar e sigo na posição de alvo, ainda não exercito a habilidade de correr. Só que de uma forma mais grave e estagnada do que permanecer sentada, fora da brincadeira: não corro, agora, atrás dos meus sonhos.
 
Permaneço numa corrida preguiçosa em que sou alvo do meu próprio destino, da rotina, do acaso. E quando sou pega por eles, fico de fora da brincadeira, assistindo a vida passar. Não aprendi a levar o corpo a exaustão; a preguiça e o comodismo ainda prendem meus pés. E meus sonhos continuam ali, alvos visíveis - difíceis, eu sei, são hábeis atletas - mas cansa tanto, é tão difícil!... Há ainda dois agravantes: o desistir de brincar por causa da dificuldade. Para quem não sabe perder, isso ser inevitável, é complicado demais.
 
E meus sonhos permanecem ali.... me olhando.... Ora no balanço, outra no escorregador, quem sabe bem aqui, ao meu lado, me fazendo de boba. Presa fácil uma vez que outra, porque competir com quem não sabe brincar às vezes é chato demais e a piedade faz com que demos uma chance. Então páram ao meu lado e, mesmo assim, os deixo partir. "Corram, estou cansada demais. Sou preguiçosa demais. Fraca demais". E então me obedecem e vão para longe, sentam tristes à beira do lago. Por não ter com quem compartilhar momentos felizes e de vitória. De cabeça baixa e olhar cabisbaixo, choram pela amiga que não consegue ir adiante. Que orgulhosa e birrenta, prefere amarrar a cara e sentar no chão desistindo da brincadeira. Mais uma lição: meus sonhos amigos têm ainda mais virtudes. Respiram fundo, levantam, sorriem e vêm ao meu encontro. E mesmo tendo que insistir ainda mais algumas vezes, perguntam se quero brincar outra vez. Como é de se esperar, faço um teatro falso negando a vontade aparente e então topo recomeçar. Com um final totalmente previsível e cíclico: desisto sempre outra vez. Quando não troco de amigos para que a brincadeira fique mais fácil e na verdade nem gosto deles tanto assim. Mas quem sabe sejam sonhos mais fáceis, sejam sonhos de outros e não os meus - pessoas influenciáveis trocam de amigos por causa de outros, ou então porque aquele sonho amigo cansou demais de me esperar aprender...
 
Tenho pensado muito e me empenhado ao máximo para perder a vergonha, o medo, a preguiça e então aprender a correr. Mesmo que eu pareça muito desengonçada por causa dos pés pra fora (como uma patinha), mesmo que eu precise parar um pouco e voltar a correr, mesmo que eu precise primeiro aprender que não pode-se respirar pela boca senão a resistência diminui, ainda que eu precise de um tênis novo ou então sacrificar-me com os pés em bolhas, no chão. Mesmo que eu ainda precise perder algumas vezes para, finalmente, pegar meu sonho mais precioso e secreto, ofegante, emocionada, vencedora, abraçá-lo com carinho e dizer bem baixinho, ao pé do ouvido: obrigada por ter esperado tanto tempo para que eu pudesse aprender a brincar de pega-pega.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, abril 27, 2006

Ao invés de encaminhar pra todo mundo, aí vai.... Pra descontrair!!!

Juro que eu não sei se não faria a mesma coisa, de tão desligada que sou...
 
 
ESTA FOI A PERGUNTA DE UMA CALOURA DA USP SOBRE PAPILAS GUSTATIVAS"

Esta história é verídica, aconteceu na USP numa aula de biologia... 
O professor estava falando sobre o alto teor de glicose encontrado no sêmen, quando uma caloura levantou o braço e perguntou
(é caloura e não loura,ok?) 
- Se eu entendi bem, o senhor está dizendo que se encontra muita glicose no sêmen.  Seria tanta quanto no açúcar?
- Sim.
Respondeu o professor.
- Então por que o gosto não é doce?
Após um silêncio de estupefação, a classe toda arrebentou numa gargalhada.
A pobre garota ficou roxa de vergonha assim que percebeu quão impensada foi sua pergunta. 
A resposta do professor, entretanto, foi clássica:
- O gosto não é doce porque as papilas gustativas que reconhecem o sabor doce  encontram-se na ponta da língua e não no fundo da garganta...

Mahzá!!!! Ehueheueueheueuheuheuheheuheuehe...

terça-feira, abril 25, 2006

Minuto da que não é mais adolescente revoltada. Adolescente. Adulta, sim!

A partir de hoje terei motivos para destruir o que vejo pela frente.
 
Vou furar todos os pneus de carros parados por onde eu passar.
Vou apedrejar janelas e revolver jardins.
Vou saquear lojas, quebrar vitrines, machucar pessoas.
E, para encerrar, trancar a BR 116 para que ninguém possa voltar para casa e descansar, fazer o tema com o filho, pegar um cinema com a esposa, reconciliar-se com a namorada ou dizer o último adeus para uma pessoa querida. Já não pode-se voltar no tempo. Tudo por minhas maculadas mãos, motivos e pretensões: a glória!
 
Tudo isso porque alguns têm 2 carros ou mais. Eu não. Movimento da Sem Carro.
Outros têm casa, apartamento próprio. Eu não. Movimento da Sem Teto Próprio.
Uns podem pagar 5 mil dólares por um vestido. Eu não. Movimento da Nenhuma Roupa Cara.
 
Não é justo. Uns terem, outros não. Bonito é resolver quebrando o que é dos outros. Lindo é aparecer na TV destruindo o que é trabalho alheio. Certo é tirar de quem paga seus impostos, cumpre o seu dever, mas é prejudicado mesmo assim.
 
Triste é viver num país em que as regras são protegidas por exceções. Contradições. Confusões.
Chega!! Quero proparoxítonas, todas acentuadas.
Regra sem exceção.
 
 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, abril 24, 2006

Feriadão cheio de agradáveis momentos e surpresas...
 
Momentos como passeios, cata à sítio com criatório de araras, café de fim de tarde com as amigas no domingo e baladas até o amanhecer.
 
Todas as surpresas em relação a este meu canto público, despretensiosa: uma colega de profissão muito bacana que diz que lê e que gosta e outra totalmente inusitada: uma mulher me olha, me olha, me olha, com cara de interrogação. Sem entender o que estava acontecendo, permaneci na minha, dançando ao ritmo da banda. Então ela resolve vir ao meu encontro e, cheia de vergonha, pergunta: "Tu é a Priscila?"
Ao mesmo tempo em que esbocei uma expressão de surpresa, respondi que sim. Então ela desembestou: " Ai, adoro teu blog, leio ele todo dia, amo o que tu escreve..." e por aí vai.
 
Posso dizer que foi estranho. Diferente. Bacana. Mas meus medos de escrever o que sinto afloraram. E sumiram no mesmo instante.
Vou cometer a ousadia de dizer que me senti assim... 0,1% de Martha Medeiros.
 
E adorei...
 
 
 

terça-feira, abril 18, 2006

Saudade que eu estava do meu pijama acolchoado do piu-piu...

quinta-feira, abril 13, 2006

Coelho não bota ovo, o ovo a gente ganha no domingo e é de chocolate, tem que comer peixe na sexta-feira e alguns comem coelho no domingo, tem que colher marcela antes do sol nascer e ficar perto da família.
Huuum... entendi!
Legal...
Mas páscoa é legal porque tudo o que faço nesta data é sempre diferente dos outros dias. Porque é feriadão, claro!
Já acampei num parque com sete cachoeiras escondidas como os ninhos do coelho comestível de carne gostosa que bota ovos de chocolate, onde tinha sol e calor insuportável na sexta e chuva torrencial e muito frio no domingo, onde acordei boiando dentro da barraca, infecção intestinal - resultado de vinho com chocolate - temperatura beirando os 10 graus e todas as roupas encharcadas.
Na adolescência caminhei mais de 20 km lomba abaixo e lomba acima (né, alemoa?!), a bagagem um garrafão de vinho, pra chegar em cima de um morro, acender uma fogueira, cantar ao som do violão, tudo isso pra colher marcela antes do sol nascer. E no morro não tinha marcela. (ufa! sorte que na vendinha tinha... como chegar em casa sem os tais montinhos fedorentos?!)
Já fiquei estiradona na praia, curtindo um sol, lagarteando, porque um dia foi verão na páscoa. Mudaram o calendário e ninguém nos avisou!
Fiz milhares de vezes caça ao tesouro, tantas que já perdeu a graça...
 
Bem, para desejar feliz páscoa do meu jeito - (para não ser uma excluída), aos meus amigos, conhecidos e desconhecidos, desejo que estes dias sejam ricos de alegria, aventuras, descanso, risadas e que você esteja bem pertinho das pessoas que gosta... eu, desta vez, estarei afofando meus queridos avós.
 
 
 
 
 
 

terça-feira, abril 11, 2006

Freud não explica?!?!

Mais uma vez falo em sonhos...
 
Não os de comer, quentinhos, repletos de mumu, cobertos com açúcar....
Nem os de conquistas, grandes, completos, secretos.
Mas aqueles que rendem sempre momentos complexos e profundos de reflexão, no meu caso, é claro. Aqueles que habitam meu sono sempre, todas as noites.
 
Terça-feira da semana passada, sonho com uma onda gigante (tá, tsunami) enorme, quase eterna. Ela toma a casa dos meus pais e inunda tudo. Dentre inúmeros detalhes dos quais poderia transformar este texto em livro, meu irmão morre. Eu acordo, é claro, com ondas gigantes no rosto e não consigo mais dormir. Comento apenas com uma pessoa que me acalma e diz é só um sonho.
 
Pois bem...
 
Ontem fui dormir na minha mãe. Enquanto jantamos e botamos as fofocas em dia, ela olha pra mim e diz exatamente esta frase, sem mais nem menos palavras:
 
"- Bah, semana passada, sei lá se terça ou quarta, não lembro mais, tive um pesadelo horrível, cheguei a ficar sem ar... Sonhei que uma onda gigante tinha inundado nossa casa e não consegui salvar o teu irmão, por mais tentasse... Horrível!"
 
Bom, a minha cara neste momento dispensa comentários...
 
E se alguém quiser explicar o que aconteceu, muito obrigada. Mas há muitas coisas que, definitivamente, jamais saberei explicar...
 

terça-feira, abril 04, 2006

Amanhã é feriado na cidade onde trabalho, não onde moro.
 
Logo, vou poder aproveitar que não é feriado na minha cidade para ir no banco, na imobiliária, assistir vídeo show, dormir até tarde enquanto os outros levantam. Coisas que um ser humano que trabalha não pode fazer.
Mas como não é feriado no resto do mundo (tá, em algum lugar até quem sabe sim...), a empresa funcionará em regime de plantão. Daí tu tens livre arbítrio pra decidir se quer ou não trabalhar. E decide pelo não, por todas aquelas coisas descritas antes. Mas daí vem aquele "Tchum".
 
Momento onomatopéia: aqueles que terão que trabalhar te olham com aquele olhar de reprovação. A ar pára de circular. O som desaparece. Tudo gira ao seu redor no melhor estilo Matrix. Você se sente o ser mais culpado (?!) da face da Terra. É taxado de vagabundo. Protegido. Ou qualquer um desses adjetivos feios.
 
Ótimo.
 
Que horas é a sessão da tarde, mesmo?!