
E quando a corda se rompe?! É possível consertá-la?
Ao insistir que sim, damos um nó e seguimos em frente. Aparentemente, permanecerá uma corda contínua. Mas muito, muito mais frágil. Dificilmente passará sem dificuldades por onde era transponível, sem trancar no remendo. E o nó permanecerá sempre ali. Se quisermos resgatar o início dela e relembrar o passado, o nó continuará ali para que lembremos que, um dia, a corda foi rompida.
Torna-se ainda mais difícil o remendo quando a corda é partida por outros e não por si mesmo. Porque será inevitável a cobrança de um dia a corda ter-se partido, da tentativa de remendá-la, dela permanecer com nó, da impossiblidade do conserto. Corda partida jamais será corda em sua essência novamente.
E quando esta corda não tem apenas um nó? Mas outro, e mais outro, e mais outro? De melhor corda existente, passará a corda muito frágil, inútil para algumas necessidades. E haverá sempre o medo. O medo de que ela se parta sem que ao menos se espere. Medo de que os nós tranquem naquela pequena passagem. Medo de que o nó seja desfeito e fiquem nas mãos pedaços do que um dia foi inteiro. Medo de que ao puxá-la, cheguemos sempre onde há um nó, esteja ele ali há mais ou menos tempo. Medo de jamais conseguir outra corda inteira e então permanecer só com os pedaços, sem superar a perda. Medo de voltar sempre ao mesmo trauma do rompimento. Medo de não ter forças para procurar outra corda. Medo de querer permanecer com a corda, mesmo partida.
Corda partida e remendada funciona. Mas com prazo de validade ou muita coragem. Porque o medo, ah, este sempre estará presente para quem não tem uma corda inteira nas mãos. A não ser que os nós permitam que ela continue sendo forte o suficiente para que você se enforque nela...


