segunda-feira, julho 30, 2007

Brincando de casinha

Nunca fui uma criança que passasse horas brincando de casinha. Bem pelo contrário. Estava mais preocupada em estar na rua andando de bicicleta, batendo perna, pulando muro e fumando samambaia. Sim, eu fumava samambaia. Mas isso é papo pra outro post.


Pois então. Além de quase não brincar de casinha, eu tinha um diário. E, neste diário, está registrado: em 1990 eu escrevi como seria a minha casa e sobre o meu sonho de morar sozinha. Eu tinha oito anos. Retomando minhas agendas na adolescência, lá está também meu desejo mais profundo: a minha casa. Até fiz várias tentativas na casa dos meus pais, tentando me mudar para uma peça separada da casa. Mas o sonho tão acalentado só se concretizou 14 anos depois daquele longínquo 1990 de páginas rosas com cheiro de chiclete e cadeado frágil.


E faz três anos e pouco que tenho a minha casa. Proporcional ao número de anos, o número de mudanças. É o terceiro apartamento que ocupo para chamar de minha casa mas, até então, nenhum deles tinha ficado próximo daquilo que tinha definido como minha casa. Até o dia de ontem. Finalmente.


Concluí a minha casa ontem. A casa dos meus sonhos. Muito tempo depois. Muito esforço depois. Ainda não é minha, minha, mas pago para que seja, então o é. Os móveis na posição, no modelo e na cor com que sonhei. A decoração. A louça. E o bicho de estimação. Sim, até ele. Tive que trocar de tipo, pois minhas ausências freqüentes seriam a tristeza de um cachorro. Pois agora tenho um gato que peguei em adoção. Adotei alguém que precisava de mim, assim como preciso do bichano.


E então a casa está pronta. Finalmente terminei de brincar de casinha. Tudo está em seu lugar. Ainda faltam detalhes, é claro, mas a gente não pode ter o motor home da Barbie, o carro da Barbie, a pia da Barbie. A gente tem o básico e umas firulinhas, o suficiente para uma deliciosa brincadeira. Porque o resto, ou a gente imagina, ou aproveita sorrindo o que tem.


O único problema é que agora minha casa ficou tão, tão gostosa, que não tenho mais vontade de sair de lá. Dá pra voltar lá pra 1990? Pelo menos na infância a gente pode brincar o dia inteiro de casinha....


Petit Pois (Peti poá) e eu brincando de casinha

terça-feira, julho 24, 2007

Hoje...


... eu me afogaria numa dessas aí.

Para não afogar meu terapeuta.

quarta-feira, julho 18, 2007

LUTO...

Nada pode ser mais tétrico do que muitas pessoas te ligarem para saber se está viva. Por outro lado, é também confortante saber que tanta gente se preocupa comigo. Recebi ligações e mensagens de muitas pessoas que nunca imaginaria ligarem numa situação dessas.

Ontem foram os minutos mais agoniantes de toda a minha vida, logo após a confirmação de que o avião da TAM havia saído de POA. Porque minhas duas clientes queridas, por quem tenho um carinho muito grande, passaram o dia comigo na agência e voltaríam para SP no vôo da Tam das 17h e pouco. Até descobrirmos, duas horas depois, que o vôo delas havia saído de POA 20 min depois do avião tragicamente destruído, meu coração quase parou.

Isso está fazendo com que várias pessoas, e eu sou uma delas, repensem o que deixamos para depois. Estrear uma nova roupa, viajar, desfazer um mal entendido. Eu, que viajo praticamente todas as semanas para SP, poderia estar lá. E tenho deixado muitas coisas para depois.

Estou enlutada por aqueles que foram, inclusive o irmão de um querido colega meu que estava no avião. Pela situação em que se encontra nosso país. Estamos, como nunca, pagando pelo amadorismo com o qual lidamos com diversas situações. Acertamos pela tentativa. E se tentamos temos grande chance de erro. A fatalidade de ontem é uma delas. Até quando?

Aos que ficam, espero que o coração se conforte um dia. E àqueles como eu, que felizmente não foram afetados diretamente, espero que possamos fazer alguma coisa para que outros, e quem sabe nós mesmos, não sejamos vítimas do jeito brasileiro de ser: uma grande enjambração amadora.

segunda-feira, julho 16, 2007

Lavou a pena


Uma viagem, muitos pontos de vista...

Melhor do que conhecer a argentina, é viajar em grupo, coisa que nunca tinha feito.
E, nisto, ter a mesma viagem sob seis pontos de vista diferentes. Seis pessoas tão diferentes. Seis mulheres com gostos e estilos que diferem entre si mas que, no fim das contas, resultam num conjunto rico e completo.
Se eu tivesse programado a viagem, com certeza não teria conhecido tantos lugares diferentes - do turístico ao comercial.

Buenas... além de todos os belíssimos lugares, descobri muitas coisas da Argentina que não estão em todos os diferentes manuais e mapas sobre a Argentina que tínhamos em mãos. Vamos a algumas delas:

- É óbvio que o trânsito fica enlouquecido quando eles vêm as nossas praias. Os argentinos são completamente malucos no trânsito. A loucura é proporcional à quantidade de carros batidos. Praticamente todos têm alguma avaria na lataria.

- Os argentinos, ao contrário do que reza a lenda, são muito gentis e atenciosos. De taxistas a garçons, fui muito bem atendida em praticamente todos os milhares de lugares por onde passamos. Além de muy belos, é claro. Sem exceções.

- Se não fosse o frio, a Argentina seria, com certeza, um lugar em que pensaria viver.

- É horrível voltar para o Brasil e 1 real valer realmente 1 real e não um pouco mais que a metade de um. Em contrapartida, é bom abandonar a calculadora que passou a habitar meu cérebro.

- A comida argentina é abursamente deliciosa e barata. Mas inversamente proporcional ao custo de uma garrafinha de água mineral: 5 pesos.

- Apesar de linda demais, a cidade e o lugar onde habitamos estes 5 dias têm, digamos, uns probleminhas sanitários. Cocô de cachorro a cada 10 metros nas calçadas. E o lugar em que ficamos merece um post extra quando eu estiver inspirada.

Drops da viagem:

- Kelen como Tia Iara. A melhor guia de todos os tempos.

- As engraçadíssimas noites em claro por motivos impublicáveis - rooooooooooooooonc.

- O El Estancieiro. Paraíso.

- Praticamente todo o alfabeto jogando Stop na volta.

- O preço chocante de quinquilharias para a casa - muito barato.

- O buffet de churros - delicioso.

- As caminhadas intermináveis, horas e horas seguidas.

- O frio de renguear cusco.

- Os pés quentes - a neve parou um dia antes de chegarmos.

- A esquina, a fachada e os dois sobretudos que saíram de lá.

- A satisfação da Mona em descansar.

- A risada maravilhosa da Dani.

- A busca incansável por casacos sem preços abusivos.

- As centenas e centenas de fotos.

- O beijo no chão da Bombonera.

- Caminito, Recoleta, Pallermo, Bombonera, Puerto Madero, etc etc etc.

- A janta do Miranda.

- O sorvete Freddo que não comi.

- A cerveja em litro.

- Os abraços e o carinho nos momentos de frio, decepção, encheção de saco.

- A paciência em dose quádrupla.

- Os muitos pesos pagos e não pagos.


Aos poucos vou escrevendo sobre tudo o que aconteceu.
Mas como sempre tenho uma visão romântica das coisas, acho que esta viagem representa muitas coisas. Início e fim de muitas coisas. Novo e velho. Indo e vindo.

E a felicidade nas minhas mãos, na lembrança e no que vislumbro que está por vir...

terça-feira, julho 10, 2007

Diário de viagem - a preparação

Quase tudo pronto... um festival de notas diferentes na carteira - pesos, dólares e reais.
Enfim, o que parecia tão longe - tanto férias quanto a viagem em si - chegou mais rápido do que eu poderia imaginar.

E por falar em pé frio, até neve está caindo em Buenos Aires.

E era isso. Esperamos mantê-los informados com fotos e registros narráveis ou não desta trip.

Adios Muchachos.
Até a volta.

terça-feira, julho 03, 2007

Uma coisa meio assim, com excesso e falta de assunto...

Não acreditei quando constatei que meu blog ficou uma semana sem que eu escrevesse uma linha, mesmo que a última que passou tenha sido digamos... bastante movimentada. Ou melhor, parada. Afinal, fiquei 16 horas tentando voltar para de SP pra Poa.
Mas como este assunto está meio recorrente, afinal o Terra fornece informações de minuto em minuto sobre o caos aéreo, não tocarei neste assunto. A Kelen o fez como ninguém.

Poderia falar no meu sofá que finalmente, depois de um mês, chegará na minha sala.

Ou então no trabalho, que vem aumentando diariamente em qualidade e quantidade. O que, definitivamente, me faz muito feliz.

Mas quero falar, mesmo, é nos três dias abençoados de férias que vêm pela frente. Não só pela viagem em si, mas por fazer esta pausa depois de 6 anos ininterruptos de trabalho. Me permito sair de circulação por 3 dias mais um fim de semana que seja. Pelo meu bem e daqueles que convivem comigo diariamente.

E mais da mesma coisa: depois de 2600 e-mails, segundo cálculos da Kelen, muitos depósitos, cheques, reuniões, roteiros, já dá pra avistar, ali na frente, nosso vôo a Buenos Aires. Alice, Dani, Kelen, Moni, Mô, Mona. É semana que vem. O que antes parecia muito longe.