Jamais pensaria lá em La Paloma, quanto estouramos a champanhe à meia-noite, onde estaria neste exato instante. Em SP, numa agência do caralho, aprendendo como nunca, longe de todos que amo. Realmente a vida pode ser surpreendente. Planejei durante muitos anos cada passo da minha carreira e onde queria chegar. Uma boa posição, um salário bacana, um lugar admirável. E fiz disso e somente para isso a minha vida nestes 10 anos de trabalho.
Ontem me lembrei de como era a minha casa e de como amava cada luminária, cada móvel comprado com tanto esforço, cada objeto de decoração milimetricamente colocado em seu lugar. Agora fico olhando para eles encaixotados, guardados na casa dos meus pais. Uma pilha daquilo que tinha identificado finalmente como a minha casa. E, além disso, finalmente tinha voltado para Porto Alegre, lugar que não queria ter saído jamais. Decidi não precisar de raízes.
Tinha por perto poucos bons e fiéis amigos, que não estavam apenas ao alcance de letras digitadas. Era muito mais do que uma conexão de banda larga. Eles estavam ao alcance de um abraço, de um carinho, de umas risadas que hoje transformaram-se em hehehehe ou hahahaha, quando é muito engraçado. Às vezes meu ímpeto é de alisar a tela do computador, como se pudesse fazer um carinho, dar um abraço. Ou que ao menos pusessem enxergar que eu pulo de felicidade por uma conquista, um novo amor, uma alegre descoberta. Mas deste lado, permaneço letrinhas ou uma voz ao telefone. Decidi ficar longe.
Com problemas ou não, estava a alguns quilômetros do meu ninho. Os problemas tomam proporções ainda maiores não podendo estar por perto. Além da preocupação, surge a angústia. A sensação de que estou alheia a tudo o que acontece. E muito, muito longe de um apoio efetivamente sincero e acolhedor. Decidi me afastar.
E, para finalizar a parte dolorida, estava muito, muito perto do meu abraço. Do meu colo. Do meu amor. Do meu par com quem divido a missão de crescer, amadurecer e redescobrir todos os dias. Hoje não há mais tempo e espaço para discussões, dilemas. Queremos e precisamos de todos os minutos que temos para sermos felizes. Decidi a distância decidir.
Retomo o início desta reflexão. Como poderia imaginar, naqueles primeiros minutos de 2008, que tantos valores seriam revistos durante este ano?
2008 encerra-se como o ano em que descubro o equilíbrio. Equilíbrio entre sucesso, carreira e o amor. Entre a euforia e a tristeza. Entre o que vale e o que não vale a pena. Apesar de muito ter que andar, de ainda ter apenas 26 anos, percebo que já posso avaliar o que quero e o que não quero. E constato feliz a importância disso. Decisões e sentimentos equilibrados a partir de um periodo difícil e intrigante. É chegada a hora de trazer o lado pesado e grudado no chão desta balança para próximo do outro, sem peso algum, pendente no ar. Decidi mudar.
2008, o ano do equilíbrio e quando me permito, humildemente, amar.