Vovô nasceu em Pão de Açúcar, município pequeno a 300km de Maceió. Por muito tempo achei que só meu vô e a Heloísa Helena tivessem nascido e vivido por lá. Faz 50 anos que ele veio, em companhia da minha avó, congelar no RS. Por aqui, tiveram dois filhos. Meu pai, obviamente, e minha única tia.
Nas visitas à casa dos meus avós, acho que já contei isso aqui, o quarto da minha tia era uma espécie de mundo perdido. Eu queria mexer em tudo, mas quase não podia nem entrar. Queria as bijus, o cachorro de pelúcia em cima da cama, as maquiagens, tudo. Mas o máximo que podia era ficar sentada quietinha. Uma coisa apenas me repelia do quarto: um quadro de uma zebra de bunda. Odiava aquela zebra, tinha medo daquela cara de deboche. Talvez ela contasse pra minha tia tudo o que eu fazia no quarto.
Pequeno pulo de 20 anos. Neste meio tempo minha tia foi morar em São Paulo, voltou para Porto Alegre, se instalou no Menino Deus e há sete anos atrás foi morar em Aracaju.
Conheci a pequena Jojo pelo blog. Gosto de cada pequeno centímetro quadrado desta nordestina arretada e de cada linha que ela escreve. E em alguns papos que tivemos, descobri que não só meu avô e Heloísa Helena moraram em Pão de Açúcar. A Jojô também. Já consideramos isso a maior coincidência da face da terra, o que fez meu avô se sentir menos exilado nesta terra de frio, muito frio de meu deus. Rimos muito dessa feliz volta do destino.
Eis que a Jojô contou ontem que finalmente arrumou a parede do Chamego Center, pendurando muitos quadrinhos na parede chocolate. E comemorou o fato de que, depois de mais de 6 anos, tinha finalmente restaurado a sua zebra catada no lixo do antigo prédio, no Menino Deus.
Captaram?
É isso aí, meu povo. Ainda estamos um pouco chocadas. Só pode ser destino, não tem outra explicação. A zebra que me dava medo no quarto da minha tia, foi achada no lixo pela Jojo, aquela que também passou, junto com meu avô, por Pão de Açúcar, uma cidadezica a 300 km de Maceió. Quer dizer então que elas eram vizinhas, moravam no mesmo prédio no Menino Deus. Minha tia foi para Aracaju e por isso deve ter descartado a zebra velha. A Jojô, louca por zebrinhas, pegou o quadro e guardou. E então nós duas, eu e a Jojô, nos achamos pela vida. A zebra, seis anos depois, é reformada e pendurada na parede da casa da Jojô. E a zebra que me dava medo é a mesma que a Jojo ama de paixão. 20 e tantos anos depois.
Como assim!?! Calma aí que eu ainda não realizei. E olha que a gente falou pelos cotovelos ontem tomando cerveja. Sem nem imaginar que nossos destinos estavam praticamente traçados na infância.
Ainda assim, a mesma Zebra.
16 comentários:
Pri, além de ainda estar chocada com tudo isso, eu fui parar lá no quarto da tia. E fiquei me imaginando lá. E lá, no quarto da tua tia da infância tinha algo de mim, que eu não sei o que é. De balangandãns. E tinha a zebra, que te aterrorizava, mas que foi paixão a primeira vista. Que eu catei, literalmente, do lixo, e botei dentro da minha casa. Que tinha uma história só dela (da zebra), que eu não sabia qual era, e que passou a fazer parte da minha história. Agora tá aqui.
Eu aqui.
Tu aqui.
Nós.
E a zebra.
(pronto, pirei)
Jogo um: coluna do meio!
Eu já pirei desde que descobri tudo isso, Jojô. Continuamos juntas, unidas por uma...zebra.
Hahahahahaaha, Márcio. Sensacional.
nunca pensei em tanta repercussão no * da zebra. coincidência excelente.
cantarei um FADO agora. :P
"Ô BATE O PÉ BATE O PÉ BATE O PÉ"
(pimenta no c* da zebra dos outros é refresco? ó aqui ó, Dani:
http://1.bp.blogspot.com/_WfEv31ZC8y4/RkoREKckUmI/AAAAAAAAAJo/EpZ8XOSmb3k/s400/roberto%2Bleal.jpg
hohoho)
Cantaí, Dani. Depois passo oxigenada no teu cabelón.
É isso aêeeee, Xoxô!!
Que história genial!
Depois dizem que coisas surreais acontecem só comigo. Falando em surrealismo, fui na exposiçao. Precisamos conversar sobre o assunto e eu te explico até onde eu sei, hahahahaha. Beijao.
É zebraaaaaaa !!!!
Nossa filhota, algumas horas depois e só agora, vendo a foto da tal zebra, é que realmente me lembrei e então....as fichas caíram!
Realmente, essas coisas só acontecem contigo,hehehehehe.
Que a Jojo e tucontinuem amigas e é claro unidas.
PS:Não esquece de jogar na zebra!
Bjo.
E depois dizem que essemundo é grande... Sei!
Eu tenho uma amiga portuguesa - ela vive em portugal - e ela foi casada com um parananense (só soube outro dia) e ele é de Ponta Grossa (cidade onde meu avô criou os filhos e que eu conheço muito bem porque acabei que fiz faculdade por lá). Mas sério... Sua história supera todoas! :) Faz o roteiro de um curta!
PS.: Com trilha sonora da Vide Bula! ^^
Carol, preciso te encontrar para conversarmos sobre o surrealismo da vida e do Margs.
Mamãe, bema ideia. Vou jogar no bicho.
Hehehe é verdade, Simo. Uma história e tanto.
caramba total novela mexicana hahahaha
muito destino tipo separadas pelo nascimento ou melhor unidas pela ZEBRA.
demais!!!
E não é? Eu diria separadas pela morte, afinal, a zebra quase foi-se pro lixão...
Qua-se! ó, eu comentei lá no momonulti e pergunto aqui: pergunta pra tua tia de onde ela (a zebra) veio. Se ela se lembra onde comprou e, o que é mais importante, quem é o autor. Tem uma assinatura: CAVACO 85. :)
NOSSA!!! Incrível!!!! Hehehe - Nunca vi uma zebra com tanta historia boa de ouvir! :)
Gente,
Que história boa!!!
Adorei a Zebra e acho que ela devia fazer parte de um livro de contos. Muito interessante, mesmo.
Clarynda
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