quarta-feira, julho 29, 2009
Zebra do destino
Vovô nasceu em Pão de Açúcar, município pequeno a 300km de Maceió. Por muito tempo achei que só meu vô e a Heloísa Helena tivessem nascido e vivido por lá. Faz 50 anos que ele veio, em companhia da minha avó, congelar no RS. Por aqui, tiveram dois filhos. Meu pai, obviamente, e minha única tia.
Nas visitas à casa dos meus avós, acho que já contei isso aqui, o quarto da minha tia era uma espécie de mundo perdido. Eu queria mexer em tudo, mas quase não podia nem entrar. Queria as bijus, o cachorro de pelúcia em cima da cama, as maquiagens, tudo. Mas o máximo que podia era ficar sentada quietinha. Uma coisa apenas me repelia do quarto: um quadro de uma zebra de bunda. Odiava aquela zebra, tinha medo daquela cara de deboche. Talvez ela contasse pra minha tia tudo o que eu fazia no quarto.
Pequeno pulo de 20 anos. Neste meio tempo minha tia foi morar em São Paulo, voltou para Porto Alegre, se instalou no Menino Deus e há sete anos atrás foi morar em Aracaju.
Conheci a pequena Jojo pelo blog. Gosto de cada pequeno centímetro quadrado desta nordestina arretada e de cada linha que ela escreve. E em alguns papos que tivemos, descobri que não só meu avô e Heloísa Helena moraram em Pão de Açúcar. A Jojô também. Já consideramos isso a maior coincidência da face da terra, o que fez meu avô se sentir menos exilado nesta terra de frio, muito frio de meu deus. Rimos muito dessa feliz volta do destino.
Eis que a Jojô contou ontem que finalmente arrumou a parede do Chamego Center, pendurando muitos quadrinhos na parede chocolate. E comemorou o fato de que, depois de mais de 6 anos, tinha finalmente restaurado a sua zebra catada no lixo do antigo prédio, no Menino Deus.
Captaram?
É isso aí, meu povo. Ainda estamos um pouco chocadas. Só pode ser destino, não tem outra explicação. A zebra que me dava medo no quarto da minha tia, foi achada no lixo pela Jojo, aquela que também passou, junto com meu avô, por Pão de Açúcar, uma cidadezica a 300 km de Maceió. Quer dizer então que elas eram vizinhas, moravam no mesmo prédio no Menino Deus. Minha tia foi para Aracaju e por isso deve ter descartado a zebra velha. A Jojô, louca por zebrinhas, pegou o quadro e guardou. E então nós duas, eu e a Jojô, nos achamos pela vida. A zebra, seis anos depois, é reformada e pendurada na parede da casa da Jojô. E a zebra que me dava medo é a mesma que a Jojo ama de paixão. 20 e tantos anos depois.
Como assim!?! Calma aí que eu ainda não realizei. E olha que a gente falou pelos cotovelos ontem tomando cerveja. Sem nem imaginar que nossos destinos estavam praticamente traçados na infância.
sexta-feira, julho 24, 2009
Sábado passado fui em outro salão que não o que frequento sempre, e pedi esmalte cinza. Não tinha e pela cara da manicure e de todos ao redor, parecia que tinha pedido para passar cocô nas unhas. Não sosseguei enquanto ela não chegou ao tom de cinza que eu queria: preto + renda + nude. 4 camadas de esmalte, mas consegui enfim a cor desejada. E as caras ao redor ficaram ainda mais tortas e apavoradas, mas minhas unhas cor de grafite de lapiseira estavam excelentes.
Na adolescência eu queria porque queria esmaltes que, ao contrário de hoje, não existiam ou era muito difícil de encontrar. Azul e preto, por exemplo. Então inventei uma técnica absurda: pintava com todo o cuidado do mundo (ao contrário do esmalte, não era nada fácil tirar os borrões) unha por unha com... pincel atômico. Obviamente, ficava terrível e tirar era uma verdadeira batalha. Como ficava chapado e sem brilho, a solução foi uma invenção simples: passar base em cima da unha pintada à caneta. Pronto! Tinha um brilhoso e exclusivo esmalte azul.
Com tempo e a dificuldade de tirar a tinta das unhas, fui aperfeiçoando a técnica. Descobri que passar primeiro base na unha, facilitava. Mas aí a piloto não afixava. Foi quando parti para a caneta de retroprojetor. Aí meu mundo se abriu! Além de azul, tinha verde e laranja. E assim passei a minha adolescência de unhas coloridas e cheiro de caneta.
Cores de esmalte traduzem a minha personalidade. Rosa nunca passou nem perto das minhas unhas. Não sou nada romântica e frágil. Cintilantes também estão excluídos, acho cafona, feio. Vermelhos só quando a lua está de cabeça pra baixo. Não adianta, acho que não combina com a cor da minha pele, acho formal demais. Quadradinha só minha unha.
Meus preferidos sempre serão renda, nude e todos os coloridos. E curti muito a francesinha enquanto ainda não tinha sido chutada pra fora das tendências de moda. O momento em que cada uma das cores está nas minhas mãos é que depende em que fase e humor estou. E saia da minha frente quando estiverem sem esmalte.
quinta-feira, julho 16, 2009
Pirulito que acaba em chiclete
(neste momento alguém gritaria lá do fundo: "Toca Raul!!")
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Quantas vezes por dia você conta até 10, respira, conta de novo, sorri e somente então toma alguma atitude? Várias? Puxa, meus parabéns!
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Questão absolutamente irrelevante para uma quinta-feira: a felicidade alheia irrita?
.:.
Mas amanhã é sexta-feira. E nada, absolutamente nada muda isso.
sexta-feira, julho 10, 2009
Diário de casada
- Amor, tu tirou as toalhas que estavam aqui, né? Que eu ia lavar quando o sol resolvesse dar as caras.
- Que toalhas?
Dentro da máquina, junto com todas as roupas brancas que ele colocou, estava a toalha azul marinho nova. Ou seja, que nunca tinha sido lavada. Sim, e que soltou tinta.
Fiquei numa grande dúvida se elogiava ou tinha um chilique. Resolvi dar risada.
terça-feira, julho 07, 2009
O twitter é viciante não pelas minhas atualizações banais, claro. Mas pelas notícias, pela informação, pelas referências, pelo cliente e pela concorrência, por ter à disposição tudo o que quero saber, de qualquer assunto, a qualquer hora. Fora não precisar mais ficar entrando em sites de notícia de hora em hora. Agora elas chegam a cada minuto. Ponto pra tecnologia. Ponto pra quem tem usado a ferramenta a seu favor. Espero ansiosamente todas as ideias e legaizices que virão. Principalmente na propaganda.
sexta-feira, julho 03, 2009
Simples
Sou casada com um músico. Faz cinco anos e meio que nos relacionamos e a pergunta a respeito disso, com algumas variações do mesmo tema, ainda é repetida: tu não tem ciúmes?
Poucas vezes falei abertamente aqui sobre isso, talvez porque lide muito bem com essa situação, desde o primeiro dia que ficamos, num show. Era meu aniversário, estava me divertindo com as minhas amigas e o que menos queria era me envolver com alguém. Talvez por isso não tenha visto que ele surgiu na minha frente, aliás, quem viu foi ela. E talvez por isso nem tenha me dado conta de que aquele ali era aquele lá que estava no palco e exatamente por isso tenha fugido dele por um bom tempo.
O trecho acima é para contextualizar sobre várias situações que conheci durante todos estes anos, estando "atrás" dos palcos. Há várias categorias de comportamentos femininos na noite e digamos que tenha me tornado especialista.
Mas voltando ao início deste post. Não, não tenho ciúmes. Já respondi muitas e muitas vezes a mesma pergunta e novas namoradas de músicos sempre vêm me perguntar como administrar esta situação. O que digo é que minha visão, desde o primeiro momento, sempre foi muito pragmática, prática e racional: é trabalho. Detesto qualquer tipo de ciúme em relação ao meu trabalho, às pessoas com quem convivo, então só faço uma troca. Segundo, quero muito, muito mesmo, que tenham muitas mulheres na frente do palco. Gritando, se escabelando, se possível. Cantando pra ele "se eu tivesse um canudinho", gritando, mandando beijos, tirando a roupa, até. Quanto mais, melhor. Muitas. Que amem, idolatrem, sonhem. Fácil: simplesmente porque são elas que pagam nossas viagens, nossa conta de luz, nossos planos realizados.
Dentro de casa, no nosso relacionamento, o artista que está lá no palco se resume a pessoa que eu amo, ao meu companheiro, a um profissional muito competente no que faz. O cara que ontem, antes de eu chegar em casa, arrumou a cama, limpou a bagunça do churrasco da noite anterior, lavou dezenas de louças. Aquele que liga o chuveiro antes de eu entrar pro banheiro ficar quente, que põe a mesa do café da manhã. Mas que chega em casa do trabalho às cinco ou seis da manhã, um profissional como qualquer outro, se fosse médico, por exemplo. Mulheres em volta? Sim, várias. Assim como executivos, publicitários, advogados. A diferença é que esses usam o motel ao meio-dia e se tornam acima de qualquer suspeita. Diferentemente de alguém que trabalha onde as pessoas se divertem, à noite.
Odeio hipocrisia. E exatamente por isso tenho uma visão transparente e realista sobre as coisas. E sou eu que durmo nos braços dele. Mesmo que seja a partir das seis da manhã, no conforto da nossa casa. Paga por todas que admiraram e gritaram por ele algumas horas antes. Simples assim.