sexta-feira, abril 29, 2011

Não sei se acontece com você também. Os dias vão passando, as tarefas sendo cumpridas, a vida sendo vivida. Aí paramos pra pensar e lembrar de recentes ou nem tão recentes acontecimentos. E eles parecem pertencer a outra pessoa, a outra vida, a outro eu. Pelo menos comigo tem sido assim. A vida parece ter duração de alguns meses. Ou pior, dias. Mais do que isso, parecem pertencer a outro alguém, que não eu mesma.

Exemplo? Volto a São Paulo mês que vem a trabalho. Bacana, adoro São Paulo. E depois de muitos instantes paro e penso: peraí, mas eu morei em São Paulo. E faz apenas dois anos que voltei!. A palavra apenas é só para ilustrar nesse texto. Tem certeza que foi nessa vida? Tem certeza de que fui eu?

E assim a vida, esse breve momento de tempo medido não sei por que critério, passa. Aos galopes. E aí pensamos no ontem e a distância entre ele e o hoje é maior do que gostaríamos. E assim passam oportunidades, pessoas, lembranças, conquistas, derrotas, lembranças. Tristezas, decepções, alegrias, minutos. Estes instantes que preenchem nossas vidas com uma reunião, um almoço, uma viagem, uma reforma da casa. Se têm a duração de uma hora, quinze minutos ou quatro meses, acabam entrando no mesmo pensamento sistêmico de algo que passou e pertence ao passado. Que deveria, sinceramente, ficar na memória classificado por recente, breve, longo. Mas ficam todos enquadrados da mesma forma: passado. Foi. É? Nem vi.

O que mais me inquieta nisso é que nele estão pessoas. Se os dias passam assim, e cada um deles parece ser auto-suficiente para ter começo-meio-fim-passado, independentemente do tempo que durem, acabamos vivendo na saudade. E é aqui que quero chegar. Se paro pra pensar, a saudade tem sido randômica e inacabável.

Sério que faz um ano e meio que não te vejo? Mas não foi ontem? Faz dois anos que voltei? Sério que já faz três meses não que almoçamos juntas e que muitas vezes vou sozinha, porque chegou meio-dia e não pensei antes o que faria? Não, não é possível que sequer te mando e-mail há um ano. E assim por diante. Não por desleixo, mas simplesmente porque os dias vão passando. E as prioridades diárias tomam espaço das demais. Com você é assim também? Parece que o tempo dura cada vez menos. Porque a gente esqueceu de planejar um pouco mais do que uma semana. E porque a gente não tem tempo. E assim sobra só o ontem, o almoço de hoje em 15 minutos no shopping entre uma reunião/um review/um briefing/um banco e o dia mal planejado de amanhã.

Aí eu digo pra mim mesma: chega de saudade. E então agendo as unhas, a depilação, a reunião, o review, o ballet, o banco, o sono, o marido, a obra, a novela. E me falta o tempo. E vivo o dia. E me sobra a saudade.

E ai então me pergunto: mais um dia? Ou menos um dia?